quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Pesquisa, pesquisador e tratamento da informação: confira entrevista de professora da UFV

Formado por pessoas que se organizam para trabalhar em uma ou mais áreas de estudo, um grupo de pesquisa pode ser um importante instrumento para o desenvolvimento de projetos. Mas não basta criá-lo - é necessário atuar, empenhar-se para que a iniciativa se desenvolva. Este foi o tema da palestra ministrada pela coordenadora da Pós-graduação em Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Viçosa (UFV), professora Lêda Faroni, na tarde de terça-feira no Simepe.
A palestra, no entanto, não ficou restrita aos grupos. Lêda compartilhou com alunos e professores do IF Sudeste MG uma série de experiências de sua carreira de mais de três décadas como pesquisadora. Em seguida, a professora da UFV ainda concedeu uma entrevista sobre o assunto. Acompanhe:
Ascom / IF Sudeste MG: Após a criação de mecanismos como a Plataforma Lattes e o Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), ser pesquisador é mais simples ou mais complexo?

Professora Lêda: Eu acho que é mais simples fazer pesquisa. A informação hoje é muito mais fácil de você obter. Honestamente, é claro que às vezes você recorre à biblioteca, mas hoje há a informação online. Quero saber o que está acontecendo, o que está sendo pesquisado lá fora e o que pode ser aproveitado aqui para nosso país. Acho que o grupo de pesquisa facilitou muito a nossa vida.
Ascom / IF Sudeste MG: Mas esse acesso praticamente ilimitado à informação, em sua visão, gera algum risco?
Professora Lêda: Gera se você não souber selecionar a informação. Sou muito criteriosa nessa seleção - como eu comentei aqui (durante a palestra), periódicos que eu sei que estão registrados, por exemplo, em base de dados, como Web of Science, Scielo e Scopus. Se você entra no Google, acha de tudo, mas nem tudo é confiável. Então, você tem que saber as bases de dados onde vai buscar suas pesquisas. A primeira coisa, antes de iniciar uma pesquisa, é pensar: será que vale a pena executar isso? Quem sabe alguém já fez? Ou, se fez, qual foi o resultado que ele obteve? Será que eu posso melhorar o resultado? Você pode se basear num trabalho que foi feito e encontrar outras possibilidades que, com certeza, engrandeceriam aquele trabalho preliminar.
Ascom / IF Sudeste MG: Pensando, por exemplo, no universo de um estudante de graduação na iniciação científica: ele precisa conciliar as atividades de pesquisa com as de ensino. Neste momento, qual deve ser a prioridade dele?
Professora Lêda: A primeira condição para que um estudante trabalhe comigo é que as notas dele melhorem. Se elas se mantiverem, eu lhe dou um tempo. Mas ele tem que melhorar, aprender a programar seu tempo. Não há o melhor (entre ensino e pesquisa), os dois são prioritários. Mas as notas da graduação não podem cair.
Ascom / IF Sudeste MG: Existe uma área do conhecimento em que o Brasil está particularmente mais avançado em suas atividades de pesquisa?
Professora Lêda: Acredito que estamos muito bem na área de (Ciências) Agrárias e também na de Saúde. Temos que reconhecer que a área de Saúde é muito forte em nosso país. Mas acho que todas elas têm muito para crescer.
Ascom / IF Sudeste MG: Quais virtudes você identifica como fundamentais para um bom pesquisador?
Professora Lêda: Ele deve ser perseverante, responsável, paciente, criterioso e, principalmente, honesto. Acho que honestidade é fundamental.




Texto e imagens: Daniel Leite