segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Colóquio explora possibilidades de pesquisa no campo de “Estudos da Linguagem”

“Fror”, “embigo”, “craro”, “alembrar”. Estas palavras são consideradas “erradas” do ponto de vista gramatical, mas você já parou para pensar que talvez um dia elas já tenham sido consideradas “corretas”? É o que pretende descobrir Francisco de Assis Moreira, servidor do IF Sudeste e pesquisador que iniciou a sequência de apresentações do Colóquio em Estudos de Linguagem, realizado na tarde do primeiro dia do III Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão do IF Sudeste MG.  O objetivo de “Chiquinho”, como o doutorando é conhecido, é pesquisar a rota evolutiva da língua portuguesa para identificar na linguagem atual possíveis reminiscências do português arcaico, utilizado nos séculos XIII e XV. Ele acredita que determinados termos e expressões falados em comunidades rurais de Minas Gerais, e considerados incorretos, tenham lá suas raízes que os justifiquem.

A apresentação de Chiquinho foi seguida de uma série de outras propostas de pesquisas, que estão para ser desenvolvidas no doutorado interinstitucional (Dinter) ofertado pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em parceria com o IF Sudeste MG. Coordenado pelo professor do Campus Muriaé Natalino de Oliveira, o Colóquio foi aberto pela professora da UFF Edilla Vianna da Silva, doutora em Língua Portuguesa e representante do Instituto de Letras da universidade ofertante do programa. “Buscamos desenvolver e auxiliar o desenvolvimento de novas vocações de pesquisa. Pesquisas que promovam o desenvolvimento das regiões onde os pesquisadores estão inseridos”, expôs a professora, que já ministrou parte das aulas do Dinter aos pesquisadores do IF Sudeste.

Entre os demais temas de pesquisa apresentados, estão: “Ouvir, ver e pensar Velho Chico: Sustentabilidade e Poder”, apresentado por Simone Oliveira, que propõe uma análise semiótica da novela exibida pela TV Globo, identificando como a narrativa se utiliza da linguagem para introduzir conceitos de agroecologia e sustentabilidade no telespectador. “Eis uma nova Nação: O ensino de língua pátria, leitura e escrita nos grupos escolares de minas gerais na primeira república”, por Thaís Reis de Assis, e “A linguagem da formação cultural das populações rurais da Zona da Mata Mineira”, por Gilson Soares, foram os temas que se seguiram, além de “A desconstrução do material didático de línguas estrangeiras: uma comparação entre os livros que temos e a criação dos que queremos para os cursos técnicos integrados do IF Sudeste MG”, por Valquíria Carrizo, e “Um objeto e dois pontos de vista: análise de texto sob a ótica linguística textual e da análise do discurso”, por Elayne Souza.
Para o coordenador do colóquio, "o evento foi essencial por valorizar o programa do DINTER, os servidores que o estão cursando e a linha de estudos de Linguagem dentro de nosso evento institucional de maior prestígio."

Texto: Elisa Franco
Imagem: Daniel Leite
12-09-2016